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NOS DOMÍNIOS DO REALISMO FANTÁSTICO

HIROSHIMA!

"Tempo de bruxaria! O homem orienta a Terra, os animais, o Céu. Ele domina, canaliza as tempestades, provoca os raios, a chuva, a queda de neve, os tremores de terra; faz sair das entranhas do Sol erupções mil vezes maiores e mais terríveis do que o Vesúvio e o Etna. Os "tapetes voadores" cortam o espaço à conquista das estrelas; a bala de metralhadora é a maldição transmutada em aço, e o brilho mortal, a luz instantânea brotam eletronicamente como o fogo do inferno.... Tudo se materializa a partir de uma idéia. Um poderosos "feiticeiro" pensa e da sua testa saem, em forma de aço, tungstênio e zircônio, máquinas prodigiosas para fabricar outras máquinas"

(Robert Charroux - Le Livre des Secrets Trahis)

 

1939 a 1945. O mundo enfrentava o conflito da Segunda Guerra Mundial. Alemanha nazista, Itália e posteriormente o Japão, formavam um eixo contra as tropas aliadas, se enfrentando através de encarniçados combates em várias frentes de batalha - na terra, no ar e no mar. Enquanto isso, cientistas e militares de ambos os lados se empenhavam no desenvolvimento de armas cada vez mais destrutivas e eficientes de modo a obter a supremacia nos combates e assim ganhar a guerra. Albert Einstein e Robert Oppenheimer (foto), trabalhavam para o Governo dos EUA - tendo logicamente uma "mãozinha" de alguns cientistas nazistas refugiados na América - no estabelecimento de um ousado projeto que secretamente se desenrolava nas secretas instalações de Los Alamos. Tais atividades receberam o nome de "Projeto Manhattan" e preliminarmente chegaram a testar em 16 de julho de 1945 no Deserto do Novo México os efeitos da mais sinistra arma de guerra que o mundo conheceu: a bomba atômica! E como infelizmente toda arma que o homem criou jamais deixou de ser empregada, um dia ela foi efetivamente acionada e posta em prática!

 

Na foto, a jovem tripulação da Força Aérea Americana que em agosto de 1945 foi encarregada de uma missão "muito especial". Coronel Paul W. Tibbets, piloto e comandante da missão; Capitão Robert A. Lewis, co-piloto; Capitão Theodore J. Van Kirk, navegador; Major Thomas W. Ferebee, bombardeador; Tenente Morris R. Jeppson, Engenheiro Eletrônico; Sargento Joseph S. Stiborik, operador de radar; Richard H. Nelson, operador de rádio; Sargento George R. Caron, artilheiro de cauda; Sargento Wyatt E. Duzenbury, Engenheiro de vôo; Sargento Robert H. Shumard, Engenheiro assistente; Tenente Jacob Beser, operador de contramedidas de radar; Capitão William Parsons, Cientista do Projeto Manhattan.

 

Eles tripulavam uma superfortaleza voadora Boeing do tipo B-29, batizada de Enola Gay.

 

No interior daquela aeronave, quando partiram da base de Tinian às 02:00 horas para a missão, estava um artefato diabólico, ironicamente batizado com o nome de "Little Boy", ou "Garotinho" (foto), o qual estava predestinado a mudar de forma trágica a História da nossa humanidade.

 

Desde uma distância de 2735 quilômetros, a morte voava celeremente nas asas do Enola Gay dirigindo-se ao território japonês. Somente o comandante da missão, o Coronel Paul Tibbets, sabia exatamente o que estava transportando no bojo do seu Enola Gay. O próprio destino, ou mais exatamente o alvo da bomba, somente foi transmitido à tripulação já no meio do caminho, via mensagem codificada. De posse das novas ordens, o Enola Gay, então, manobrou sua trajetória mortal em direção a Hiroshima. Precisamente às 06:00 horas, o encarregado de bordo retirava os três pinos de segurança de cor verde do corpo da bomba, substituindo-os pelos três de seqüência vermelha. Estava tudo pronto para o ataque!

 

06 de agosto de 1945, 08 horas, 15 minutos. Este relógio calcinado de um dos mortos na catástrofe registrou o exato momento em que "Little Boy" foi detonada por sobre a cidade! Contudo, os precisos instrumentos do Enola Gay registraram o evento como que ocorrido precisamente às 08h 16m 35s.

 

De modo a causar o maior dano possível, como aliás é característica de todo artefato atômico, "Little Boy" não detonou no impacto contra o solo, mas, sim, a 548 metros de altitude, formando um sinistro e infernal cogumelo de fogo e fumaça!

 

Essa tomada aérea posterior nos mostra, na região mais escurecida, o epicentro da explosão, bem como o devastador efeito das suas ondas de choque as quais se propagaram em todos os sentidos por uma vasta extensão. A coisa teve uma certa dose de crueldade. Outros dois B-29 acompanhavam o Enola Gay, com a missão "medir e fotografar" o alvo. Eles seguiam à frente e sobrevoaram Hiroshima antes da bomba, obviamente para testar as defesas da cidade, por sinal inexistentes. Nessa ocasião, o alarme anti-aéreo soou e a população então se abrigou. Como nada aconteceu, o alerta foi suspenso e todos voltaram às suas atividades...... Para morrerem calcinados e indefesos apenas alguns minutos depois. E ainda por cima, a explosão ocorreu bem por sobre um hospital cirúrgico!

 

Aqui, uma visão panorâmica tomada no solo e mostrando o arrasador efeito da explosão atômica. Tudo foi volatilizado através de um fogo infernal e maldito cuja temperatura atingiu 5,5 milhões de Graus Celsius!

 

Uma visão mais aproximada nos dá conta daquilo que é o pavoroso horror atômico e os seus sinistros efeitos.

 

As infelizes pessoas que se encontravam em todos os lugares foram simplesmente "apagadas", desintegradas pelo calor violentíssimo e infernal. A foto nos mostra em uma escadaria a sombra de uma jovem que ali estivera sentada no momento da explosão! Na verdade, os fumegantes escombros da cidade estava literalmente repletos dessas "sombras".

 

Após cumprida aquela "missão muito especial", quando do seu retorno à base de operações, a tripulação do Enola Gay posa orgulhosamente para as fotos de divulgação. Os sorrisos iniciais desapareceram dos rostos de muitos deles.

 

Enquanto isso, as equipes japonesas de resgate que foram enviadas ao local se deparavam com as cenas mais horríveis jamais vistas: em meio a toneladas de escombros, cadáveres calcinados se espalhavam por todos os lados, principalmente nas áreas mais afastadas da cidade de Hiroshima!

 

Surpreendidos com aquela explosão violenta, sinistra, apavorante, e principalmente pelas ondas termais de choque, milhares de pessoas morreram tragicamente em meio a grandes sofrimentos.

 

Cadáveres por todos os lados. Porém, o mais horrível de tudo eram os verdadeiros "mortos-vivos" que, ainda fumegantes, se arrastavam pelos escombros das ruas calcinadas. Seres humanos horrivelmente mutilados e queimados, os pouco sobreviventes, formavam uma legião de desesperados, sem rostos e sem as suas peles, implorando por socorro e por um pouco de água. As horrorizadas e perplexas equipes de resgate não podiam dar-lhes água, uma vez que este é um procedimento errôneo que pode matar quase que instantaneamente uma pessoa queimada. Contudo, após a explosão, uma chuva negra e pesada caíra do céu. Era uma massa viscosa, repugnante, resultante da fumaça atômica que poluíra a atmosfera, misturando-se com a chuva. Desesperados, os poucos e rastejantes sobreviventes abriam as suas bocas, ou o que restara delas, bebendo avidamente aquela mistura maldita, sem saber que estavam ingerindo um veneno potencialmente mais mortal do que as radiações da bomba: um líquido altamente radioativo que envenenava e corroía os seus organismos! Um dos membros daquelas equipes de resgate, muitos anos mais tarde, declarou-se profundamente arrependido de não ter, através de um ato puramente de misericórdia, dado a água que transportava aos sobreviventes pois isso, apesar de ser um procedimento letal, lhes faria a morte advir mais rapidamente aliviando assim de uma só vez os seus horríveis sofrimentos.

 

Os hospitais de emergência japoneses estavam repletos de seres humanos - homens, mulheres, crianças - tragicamente mutilados e deformados. E sem saber a verdadeira causa daqueles horríveis ferimentos que literalmente desagregavam os corpos, os atordoados médicos e os enfermeiros tratavam-nos como queimaduras, quando na verdade não havia qualquer tratamento para os nocivos e brutais efeitos da sinistra radiação nuclear!

 

Aqui, uma sobrevivente que estava a muitos quilômetros da cidade, ostentando os efeitos resultantes dos choques termais da bomba.

 

Outro infeliz sobrevivente, horrivelmente deformado.

 

O mundo, então, pela primeira vez, conhecia os devastadores efeitos do fogo infernal irresponsavelmente criado e liberado pelos próprios homens!

 

Uma das poucas estruturas que, ou mal ou bem, restaram de pé em Hiroshima e que até hoje, sessenta anos decorridos, é conservada tal como está naquela cidade - como se fosse um sentinela principal e silencioso de muitas outras barbaridades cometidas através da nossa sempre trágica História! Exatamente como se fora um marco silencioso daquele fatídico 06 de agosto de 1945, um dia negro para a História da humanidade. Uma data que jamais pode ser esquecida!

 

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